
O transporte escolar, que já era precário, colapsou completamente. Barqueiros, responsáveis por levar os alunos às escolas, estão sem receber salários há meses e não há combustível para os barcos, obrigando famílias inteiras a manter os filhos em casa. “Sem pagamento e sem combustível, não podemos trabalhar. As crianças ficam sem aula e ninguém faz nada”, desabafa Thaís Oliveira, barqueira e mãe de aluno.
Enquanto isso, as escolas estão em condições deploráveis: salas com estruturas danificadas, banheiros quebrados, caixas d’água sem funcionar, e professores obrigados a dar aulas ao ar livre. Pais relatam perda de aprendizado e preocupam-se com o futuro educacional de seus filhos. “É um crime! Estão destruindo o futuro das nossas crianças”, afirmou o agricultor Manoel Tibúrcio.
O mais revoltante: de janeiro a setembro deste ano, o município recebeu mais de R$ 24 milhões do FUNDEB, verba destinada exclusivamente à educação básica, incluindo pagamento de professores, material escolar e manutenção das escolas. Mesmo assim, salários não foram pagos, transporte não foi garantido e as escolas continuam em ruínas.
Documentos do Portal da Transparência revelam ainda algo mais grave: Mara Alves e Natan Macena transferiram parte do FUNDEB para a conta da prefeitura. Somente em setembro, R$ 2.876.718,00 (dois milhões, oitocentos e setenta e seis mil, setecentos e dezoito reais) foram movidos, levantando suspeitas de que o dinheiro não está sendo usado para a educação.

Especialistas alertam que, se os recursos forem utilizados para outras despesas, isso pode configurar pedalada fiscal, improbidade administrativa ou até desvio de verba pública, crimes que colocam em risco diretamente o direito fundamental à educação das crianças.
A população exige respostas e acusa a Câmara Municipal de omissão, já que não fiscaliza os recursos nem cobra providências da prefeita e do secretário. As comunidades Nossa Senhora de Fátima II e Santa Maria se transformaram em símbolos do abandono, com pais desesperados tentando manter algum ensino para os filhos. “Eles têm dinheiro, mas preferem ignorar nossas crianças. Isso é crime!”, declarou Zivanide Rodrigues, agricultora local.
O futuro das crianças de Careiro Castanho está em perigo: sem transporte, sem aulas, com escolas deterioradas e milhões do FUNDEB transferidos para a prefeitura sem garantias de uso correto. A pergunta que ninguém consegue responder é: até quando Mara Alves e Natan Macena vão continuar deixando a educação do município à mercê do abandono?

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